O que é compulsão alimentar ?

Você não tem compulsão alimentar por comer demais na ceia de natal ou na páscoa, nem quando "repete" a sua sobremesa favorita.
Compulsão alimentar é um transtorno sério que afeta 3 a 5% dos homens e mulheres americanos.
A compulsão alimentar envolve o consumo de uma grande quantidade de comida, de forma incontrolável e de maneira rápida, até o ponto de sentir-se "cheio" (desconfortavelmente "cheio"). Estes episódios de compulsão são chamados de binge. Poderíamos traduzir binge como "ataques" de compulsão alimentar. Estes episódio não são motivados apenas uma fome "física". Embora períodos de restrição alimentar podem levar a ataques de compulsão. Mesmo que a fome "física" esteja presente, existem outros "gatilhos" de caráter psicológico, que podem variar desde à ansiedade, como o medo de "falhar" ou de ser rejeitado, sentimentos e/ou idéias de inadequação, ou expectativas frustradas.
A compulsão pode ocorrer de maneira espontânea ou planejada. Pode se comer tudo que estiver "na frente" e disponível, sem critério entre paladar (comida fria, misturas de alimentos doces e salgados), nem qualidade (pode-se buscar alimentos no lixo, ou vencidos).
Os episódios de binge, ocorrem tanto na bulimia, quanto no transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP). Na TCAP, não existe purgação envolvida, isto significa que não é feita por parte da pessoa qualquer tentativa para se "livrar" do alimento ingerido, como vômitos, uso de laxantes e/ou diuréticos, e/ou exercícios físicos exagerados. Porem podem existir episódios esporádicos de restrição alimentar e tentativas repetitivas de se submeter a dietas de emagrecimento, já que a maioria daqueles que sofrem de TCAP encontram-se acima do peso.
Para que seja estabelecido um diagnostico de compulsão alimentar, alguns critérios devem ser respeitados:
# O comportamento deve ocorrer no mínimo duas vezes por semana, por um período mínimo de seis meses.
A compulsão alimentar tem como resultado uma serie de conseqüências tanto físicas quanto emocionais.
Imediatamente apos um ataque de compulsão são freqüentes e comuns os sentimentos de vergonha, culpa, ansiedade, depressão e auto depreciação. A sensação física de desconforto grastrointestinal é freqüente e resulta do grande volume de alimento ingerido. A pessoa experimenta sensações de letargia e fadiga.
A manutenção deste comportamento por meses ou anos, intensifica os sentimentos de depressão, raiva, tristeza e solidão. O isolamento social ocorre tanto pela aparência física (TCAP pode levar a casos de obesidade mórbida), quanto pela quantidade de tempo requerida para executar e se "recuperar" dos ataques de compulsão. Um sentimento intenso de vergonha acompanha este transtorno, ainda que ele ocorra "escondido". Talvez a conseqüência mais critica do binge é o ganho de peso. Enquanto alguns como aqueles que tem bulimia mantém um peso "normal" (se pode ser chamado de "normal" um peso mantido a custa de purgações e /ou medicamentos), a maioria apresenta sobrepeso e obesidade em graus variados, o que freqüentemente resulta em complicações médicas. Estas complicações incluem doenças cardiovasculares, hipertensão, aumento nas taxas de colesterol e triglicerídeos, diabetes do tipo 2 e gota.
Sinais de Compulsão Alimentar
Quem sofre do transtorno de compulsão alimentar consome grandes quantidades de comida de uma só vez ou come constantemente durante um determinado período (por exemplo, durante uma festa de aniversário ou na Consoada) mas não purga ou se liberta da comida depois. O transtorno de compulsão alimentar é habitualmente reconhecido por outros devido aos hábitos alimentares de um indivíduo, tais como:
● Ingerir uma quantidade excessiva de comida, mesmo quando não tem fome;
● Comer até se sentir desconfortavelmente cheio ou mesmo agoniado;
● Esconder hábitos alimentares devido a vergonha ou embaraço;
● Esconder comida para episódios de voracidade;
● Esconder embalagens vazias ou caixas de alimentos e gerar lixo em excesso;
● ''Depenicar'' ou comer constantemente enquanto houver comida disponível;
● Comer quando está sob pressão ou se sente psicologicamente diminuído/a;
● Sentir-se subjugado/a, envergonhado/a e/ou culpado/a durante e/ou depois de um episódio de voracidade;
● Exprimir repugnância em relação a hábitos alimentares, peso, corpo ou aparência;
● Expressar descontentamento com a aparência, peso ou auto-estima.
Hipóteses das Causas
Os Transtornos Alimentares têm causas múltiplas, envolvendo, como quase sempre na psiquiatria, as predisposições genéticas e constitucionais, as influências socioculturais e as vulnerabilidades psicológicas pessoais. Essas são as condições que poderíamos colocar a Compulsão Alimentar Periódica.
Entre os fatores genéticos predisponentes, destaca-se a história de transtorno alimentar e (ou) transtorno do humor na família (transtorno de ansiedade, depressão). Entre portadores de Compulsão Alimentar Periódica é comum existirem parentes de primeiro grau também com transtorno alimentar ou quadros depressivo-ansiosos.
Os fatores sócio-culturais têm início nos padrões de relacionamento no ambiente familiar. Há em nossa sociedade, e também na maioria dos ambientes familiares, extrema valorização da estética corporal, do corpo magro (veja Tirania do Corpo), atribuindo grande culpa para a pessoa que não se encaixa no modelo estético desejável culturalmente.
A cobrança exagerada para o controle alimentar por parte dos familiares, a vigilância insistente sobre a dieta, críticas pretensamente construtivas, comparações maldosas com pessoas “esbeltas e elegantes” muitas vezes acabam causando efeito contrário do que esperavam esses familiares, ou seja, a pessoa vigiada acaba desenvolvendo algum transtorno alimentar e, entre eles, com muita freqüência a Compulsão Alimentar Periódica.
As vulnerabilidades pessoais dizem respeito a determinados traços de personalidade, à fragilidades emocionais pessoais decorrentes de eventos vitais significativos e, biologicamente, a disfunções no metabolismo das monoaminas centrais, notadamente serotonina, noradrenalina e dopamina. Entre os traços de personalidade destaca-se o tipo de relacionamento sujeito-objeto (sujeito-comida), tais como as características de avidez, de busca continuada de saciedade, da incapacidade de protelação do prazer, entre outros.
Compulsão Alimentar Periódica e a Síndrome do Comer Noturno
Stunkar, na década de 1950 descreveu um transtorno alimentar-comportamental caracterizado por três componentes principais: pouco apetite de manhã, comer excessivamente à tardinha ou à noite e insônia. Stunkard observou também que a Síndrome do Comer Noturno tendia a ser desencadeada pelo estresse e que seus sintomas diminuíam quando o estresse era aliviado.
Em estudos posteriores e muito detalhados (Birketvedt et al, 1999) mostraram que a Síndrome do Comer Noturno aparece em 10% das pessoas que se tratam de obesidade e em 27% daquelas submetidas à cirurgia para obesidade.
Os episódios compulsivos de comer (Binge Eating) aparecem apenas na Compulsão Alimentar Periódica e não na Síndrome do Comer Noturno. Estes episódios de Binge Eating não são motivados apenas uma fome fisicamente determinada, mas por um impulso irrefreável de ingerir comida em grande quantidade. Pode se comer tudo que estiver disponível, durante esses episódios, mesmo sem tomar o paladar como critério, ou seja, são ingeridas comidas frias, alimentos doces misturados com salgados, alimentos vencidos, e assim por diante. O que interessa mesmo é a quantidade.
A Síndrome do Comer Noturno, por sua vez, se manifesta por comer excessivamente à tardinha ou à noite, mas não compulsivamente, apenas por aumento da vontade de comer. Entre as pessoas que sofrem de Compulsão Alimentar Periódica, 15% delas tem, concomitantemente, a Síndrome do Comer Noturno (Dobrow, 2002).
Um dado interessante na Síndrome do Comer Noturno é que, em média, esses pacientes consumem 56% de toda sua ingestão calórica diária no período noturno, entre as 22 e 6 horas, ao passo que a população geral consume aproximadamente apenas 15% da ingestão calórica diária nesse período.
Uma das características da Síndrome do Comer Noturno é sua associação com a obesidade, depressão, baixa auto-estima e diminuição da fome diurna. Os pacientes obesos com Síndrome do Comer Noturno têm menos êxito nos programas de redução de peso do que pacientes obesos sem a Síndrome do Comer Noturno.
Tratamento e Orientação
Se a compulsão estiver presente e não for tratada , põe por terra os mais consistentes e competentes programas de emagrecimento.
O tratamento deve ser feito com orientação de psicólogo e nutricionista, e o emagrecimento vem como consequência. A pessoa tem primeiro que reconhecer que existe o problema, é a primeira condição para buscar atendimento e ajuda adequados.
Geralmente não são usados medicamentos no tratamento de ingestão compulsiva,mas podem ser usados supressores de apetite com controle médico ou alguns anti-depressivos e para diminuir a ansiedade.
O tratamento é bem básico e necessita a ajuda principalmente da pessoa, geralmente a nutricionista passa uma reeducação alimentar, dietas equilibradas e balanceadas com refeições frequentes e também tratamentos psicológicos se for necessário.
Bibliografias:
http://www.gatda.psc.br/compulsao.htm
http://www.alimentacaosaudavel.org/Compulsao-Alimentar.html
http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=394&sec=94
http://www.mulherbeleza.com.br/alimentacao/compulsao-alimentar-tratamento/
http://www.not1.com.br/compulsao-alimentar/

Comentários
Oi Pamela, parabéns pela artigo. Quando fiz uma especialização em Nutrição Clínica, pela Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, meu trabalho de conclusão foi sobre TCAP. Eu ainda não tinha muitos conhecimentos na área de Psicologia, e, como na época havia pouca literatura a esse respeito, acabei abordando mais a parte clínica da Nutrição. Depois disso e, já dentro da Psicologia, pude estudar mais sobre o assunto e participar de algumas reuniões na sede dos "Compulsivos Anônimos" daqui de Belo Horizonte. Pena que ainda se cometam tantos enganos no diagnóstico desse transtorno. É muito importante que se divulgue mesmo mais trabalhos a esse respeito.